1. Semana da Unidade: um legado de fraternidade
A Semana da Unidade abrange o período entre 12 de Rabi al-Awwal, data do nascimento do Profeta Muhammad (s.a.a.s.) segundo a tradição sunita, e 17 de Rabi al-Awwal, data celebrada pelos xiitas. Essa iniciativa transformou uma diferença histórica sobre a data do nascimento do Profeta em uma oportunidade de celebração conjunta, em vez de permitir que ela se tornasse motivo de divisão.
O Alcorão enfatiza de maneira contundente a necessidade da unidade entre os muçulmanos. A Semana da Unidade recorda que aqueles que se opõem ao Islã historicamente buscaram criar divisões e dispersão entre a Ummah islâmica.
Unidade não significa ignorar as diferenças doutrinárias. Significa, preservando as convicções fundamentais de cada grupo, manter uma posição comum diante das ameaças e dos desafios compartilhados.
Nesse sentido, o hijab é uma das manifestações concretas desses pontos em comum, pois ocupa uma posição importante nas tradições jurídicas tanto xiita quanto sunita.
2. O hijab no Alcorão: um ensinamento compartilhado
O Sagrado Alcorão aborda a questão da modéstia e da vestimenta em diversos versículos. Entre eles, três passagens são particularmente importantes:
“E dize às mulheres crentes que baixem os seus olhares, guardem a sua castidade e não exibam os seus adornos, exceto aquilo que normalmente aparece, e que cubram o peito com os seus véus.”
(Alcorão, 24:31)
Conhecido como um dos principais versículos corânicos sobre o hijab, ele orienta tanto o comportamento do olhar quanto a forma de vestir, relacionando ambos à preservação da castidade e da dignidade.
Em outro versículo, Deus diz:
“Ó Profeta! Dize às tuas esposas, às tuas filhas e às mulheres dos crentes que se cubram com suas vestimentas exteriores. Isso é mais adequado para que sejam reconhecidas e não sejam molestadas. E Deus é Perdoador, Misericordioso.”
(Alcorão, 33:59)
Esse versículo apresenta a vestimenta islâmica como um meio de preservar a dignidade e a segurança da mulher crente.
O Alcorão também dirige-se aos homens:
“Dize aos homens crentes que baixem os seus olhares e guardem a sua castidade. Isso é mais puro para eles. E Deus está plenamente ciente do que fazem.”
(Alcorão, 24:30)
É significativo que o Alcorão mencione primeiro os homens, orientando-os a controlar o olhar e preservar a castidade. Isso demonstra que a modéstia não é apresentada simplesmente como uma responsabilidade feminina, mas como uma cultura de respeito, pudor e autocontrole que envolve toda a sociedade.
3. O hijab como símbolo de unidade além das fronteiras religiosas
O que torna o hijab especialmente relevante para a Semana da Unidade é a convergência entre xiitas e sunitas quanto ao princípio de sua obrigatoriedade. Os estudiosos das duas tradições enfatizam a necessidade de preservar a castidade, controlar o olhar e observar os princípios de modéstia no relacionamento entre homens e mulheres.
Embora existam diferentes estilos de hijab, a vestimenta islâmica pode representar uma identidade compartilhada por mulheres muçulmanas de diferentes povos, culturas e nacionalidades.
Para muitas mulheres muçulmanas, inclusive em países ocidentais, o hijab também é percebido como uma expressão de identidade, pertencimento e conexão com outras muçulmanas.
Por isso, durante a Semana da Unidade, mulheres muçulmanas xiitas e sunitas podem estar lado a lado para transmitir uma mensagem clara: o hijab não precisa ser um elemento de divisão; pode ser um símbolo de dignidade, identidade e solidariedade entre os muçulmanos.
4. A mídia e o hijab: uma nova narrativa para a Semana da Unidade
Durante a Semana da Unidade, os meios de comunicação podem apresentar o hijab sob uma perspectiva diferente: não como um tema de conflito, mas como um ponto de convergência e diálogo.
Eventos conjuntos com a participação de mulheres pregadoras e estudiosas xiitas e sunitas, a cobertura de celebrações populares e a apresentação da diversidade de estilos de hijab dentro dos valores islâmicos são algumas das formas de promover essa mensagem de unidade.
A mídia não deve simplesmente reproduzir narrativas negativas sobre o Islã. Também pode apresentar histórias positivas de mulheres muçulmanas que usam o hijab em diferentes partes do mundo, mostrando a diversidade, a dignidade e a identidade da comunidade islâmica.
Nessa perspectiva, o hijab pode ser apresentado como uma forma de preservar a identidade islâmica, cultural e moral dos muçulmanos.
Hijab: um legado compartilhado e uma bandeira de unidade
A Semana da Unidade recorda que, apesar da diversidade de escolas e tradições, os muçulmanos compartilham princípios e valores fundamentais.
O hijab, como um desses elementos compartilhados, pode servir como uma ponte para aproximar corações e fortalecer a solidariedade dentro da Ummah islâmica.
Essa orientação corânica, associada à modéstia, à dignidade e à proteção da mulher, ultrapassa a dimensão de uma simples questão jurídica ou de vestimenta e pode representar uma identidade compartilhada por muçulmanos de diferentes partes do mundo.
Em uma época em que forças externas procuram explorar as diferenças para dividir os muçulmanos, o hijab pode tornar-se uma bandeira sob a qual mulheres muçulmanas de diferentes escolas, povos e culturas expressem, juntas, sua dignidade e seus valores.
A Semana da Unidade oferece uma oportunidade para fortalecer essa mensagem: a diversidade não precisa significar divisão, e aquilo que os muçulmanos compartilham pode ser uma ponte para a fraternidade e a unidade.
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